FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INDÍGENA NA AMAZÔNIA PARAENSE
DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NA PERSPECTIVA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.57108/iesj.2025.5-2.8Palavras-chave:
educação indígena, formação de professores, Amazônia paraense, cultura indígena, educação interculturalResumo
A formação de professores indígenas no Brasil tornou-se uma pauta fundamental a partir da Constituição Federal de 1988, que garantiu aos povos indígenas o direito a uma educação diferenciada, bilíngue e intercultural. No Pará, estado com ampla diversidade étnica, essa questão é ainda mais desafiadora. Apesar das conquistas legais, ainda persistem lacunas na efetivação de programas formativos que respeitem as culturas locais. A questão que norteia este estudo é: quais são as dificuldades e possíveis soluções apontadas na literatura sobre a formação de professores indígenas no Pará? A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar os desafios e apontar possíveis soluções na formação de professores indígenas no Pará, e como objetivos específicos: identificar os principais desafios relatados na literatura; apontar possíveis soluções e estratégias encontradas nos estudos e refletir sobre a importância da formação adequada para professores indígenas. A escolha do Estado do Pará se justifica considerando sua relevância sociocultural e geográfica no cenário amazônico, além do grande agrupamento de diferentes etnias indígenas, dentre as quais os Munduruku, Kayapó e WaiWai. O trabalho assume um referencial teórico alicerçado nos estudos de Freire (1996), Baniwa (2017) e Krenak (2019), que sustentam uma educação intercultural, bilíngue e ancorada nos saberes das populações indígenas. A perspectiva metodológica é qualitativa, do tipo exploratória e bibliográfica, empregando o método indutivo e análise de conteúdo a partir dos estudos de Bardin (2009). Os principais resultados apontam: as principais fragilidades situam a carência de infraestrutura, recursos didáticos bilíngues e políticas adequadas. Evidenciou ainda necessidade de formação de professores bilíngues nas aldeias, reconhecimento de saberes tradicionais e elaboração de recursos pedagógicos próprios, além da relevância da formação docente alinhada com as demandas locais, confirmou a necessidade de políticas públicas participativas.
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